Manifestantes pró-Bolsonaro exibem símbolo usado por neonazistas em ato de SP; polícia apura se foi estopim para confronto

Ato organizado por torcidas de futebol na Avenida Paulista começou com coros por democracia. Houve encontro e confusão com apoiadores de Bolsonaro. PM entrou entre os grupos e usou bombas de efeito moral para dispersar torcedores, que atiraram pedras e paus.

Por Kleber Tomaz, G1 SP — São Paulo


Apoiadores do presidente Jair Bolsonaro exibem bandeira derivada do movimento político ucraniano de extrema direita e ultranacionalista, Pravyy Sektor, durante ato na Avenida Paulista — Foto: Alice Vergueiro/Estadão Conteúdo

Apoiadores do presidente Jair Bolsonaro exibem bandeira derivada do movimento político ucraniano de extrema direita e ultranacionalista, Pravyy Sektor, durante ato na Avenida Paulista — Foto: Alice Vergueiro/Estadão Conteúdo

A polícia vai apurar se a presença de bandeiras neonazistas foi o estopim para o confronto entre manifestantes pró-democracia e pró-Bolsonaro neste domingo (31) na Avenida Paulista, Centro de São Paulo.

Apoiadores do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) exibiram bandeiras com símbolo usado por neonazistas na Avenida Paulista.

Os dois grupos brigaram nesta tarde enquanto se manifestavam no mesmo local. A Polícia Militar (PM) interveio, usando bombas de efeito moral, gás e balas de borracha para dispersar o conflito. Cinco pessoas foram presas, três delas por desordem, e outras duas por roubo.

Manifestantes pró-Bolsonaro levam bandeiras neonazistas para Avenida Paulista

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Manifestantes pró-Bolsonaro levam bandeiras neonazistas para Avenida Paulista

De acordo com o coronel Álvaro Camilo, secretário-executivo da PM, informações ainda preliminares passadas por policiais militares serão apuradas.

“Num dos grupos, eu imagino que tinha sido isso aí porque o pessoal tinha bandeira lá. A informação que me chegou da polícia é de que tinha isso, que chegou lá pessoal com bandeira neonazista, com alguma referência a neonazismo, e que isso teria provocado a agressão dos demais a essas pessoas”, disse Camilo ao G1, que, no entanto, falou que isso ainda terá de ser apurado. “Mandei checar essa informação”.

“Houve a provocação. Num primeiro momento falaram que essa provocação, essas pessoas também estavam com a bandeira”, disse Camilo. Segundo ele, cerca de 1 mil pessoas estavam participando de manifestações na Paulista, a maioria delas do grupo pró-democracia.

O coronel não soube dizer qual grupo estaria portando bandeiras que seriam neonazistas. Mas afirmou que elas poderiam estar com três manifestantes, que teriam saído do grupo onde estavam os simpatizantes do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), no prédio da Fiesp, e foram até o lado onde estavam pessoas que protestavam em favor da democracia, no Masp.

“Talvez essas mesmas pessoas, que tenham ido lá, estavam com bandeiras, mas isso não se confirmou. A PM não confirmou”, disse o coronel, que, entretanto, falou que policiais que filmaram as manifestações vão analisar as imagens para tentar identificar se alguém portava material neonazista.

O movimento político ucraniano de extrema direita e ultranacionalista Pravyy Sektor é conhecido por adotar a bandeira e o símbolo que foram vistos na Paulista. Na Ucrânia, o grupo é conhecido por ações violentas, inclusive são conhecidos por usarem tacos de baseball.

O símbolo é o Tryzub, uma referência a um tridente. O Sektor o usou e incluiu a faca e usou as cores preto e vermelho. O tridente em si é um símbolo nacional, mas essa reinterpretação é usada desde que começaram as divergências com a Rússia. Os grupos paramilitares começaram a ser formados e aí viraram o Sektor que adotou o símbolo

Fonte G1

Da redação

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