Acreditação e certificação mais próximas da realidade do Sistema

Acreditação e certificação mais próximas da realidade do Sistema

DCNs
As mudanças e perspectivas de mudanças nas Diretrizes da Engenharia, Agronomia e Geociências foram comentadas pelo presidente do Confea dentro de seus cenários sociais. “No Conselho Nacional de Educação e no MEC, é líquido e certo que todas as diretrizes vão mudar, de acordo com a tendência mundial de não trabalhar mais com o volume de conteúdos, mas por competências. O volume de conteúdos inviabilizaria os cursos com a velocidade mundial de mudanças. De maneira clássica, competências envolvem o conhecimento, habilidade e atitude, só que com um ingrediente a mais, contextualizando isso no mundo real. Aí entram as questões de extensão e de relação com o setor produtivo, reforçadas por esse modelo. Essa contextualização desse conhecimento, dessa atitude, dessa habilidade entra para o mundo real.  Quando a gente olha acreditação internacional, todas elas exigem, por exemplo, o suporte do setor empresarial, que ele discuta a estrutura curricular de cada curso porque é ele que estará absorvendo esses futuros profissionais no mercado de trabalho. Então, essa é uma característica forte dessas novas Diretrizes Curriculares Nacionais”.

Para Joel, as mudanças são representativas. “É como virar tudo de cabeça para baixo”, diz, considerando que as mudanças foram desenvolvidas ao longo dos últimos 20 anos, com o fim do currículo mínimo (conteúdo mínimo), nova Lei de Diretrizes e Bases e agora as novas DCNs de Engenharia. “Quando chegamos ao Confea em 2018, essas diretrizes estavam praticamente consolidadas, tivemos pouca margem de discussão. Até porque o Confea à época não estava participando. Foram construídas à margem do Confea e tivemos que reconstruir essa ponte com o CNE, mas já estava consolidado. Conseguimos preservar a carga horária mínima de 3.600 horas, quando eles falavam dessa carga horária apenas como uma referência. Também construímos a obrigatoriedade de que essas cargas horárias fossem distribuídas em cinco anos. Estamos participando por meio da Ceap com a Abenge, CNI e CNE MEC do grupo de monitoramento da implantação das DCNs. É um trabalho bastante complexo”, descreveu, relacionando as resoluções do CNE em vigor para cada área das Engenharias, Agronomias e Geociências.

Ao concluir sua apresentação, o presidente ressaltou que “essa formação tem que levar em consideração a certificação internacional e também os cursos à acreditação internacional. A gente sabe que a universidade tem que ter o impacto regional, comunitário, mas os nossos egressos precisam estar inseridos de maneira internacional, principalmente com o trabalho remoto, que tem uma tendência de se fortalecer nos próximos anos. O engenheiro brasileiro precisa ter a certificação para desenvolver seus projetos em outros mercados. Nada do que está nas DCNs está dissociado dessa questão internacional. Teremos em breve novidades de inserção internacional, e aí nossos currículos precisam estar preparados para facilitar essa base de negociação, daí a importância de implantar as DCNs o mais rápido possível e principalmente a acreditação dos cursos, o que facilita quando negociamos a mobilidade, já que alguns países deverão exigir que só esses profissionais de cursos acreditados sejam aceitos”, afirmou.

Presidente do Crea-PR, eng. civ. Ricardo Rocha, também considerou o papel da inserção profissional
Presidente do Crea-PR, eng. civ. Ricardo Rocha, também considerou o papel da inserção profissional

Marco para o Crea-PR
O presidente do Crea-PR, eng. civ. Ricardo Rocha, apontou que o evento é um marco para o Regional. “Retornar os eventos presenciais do Crea-PR em um fórum de docentes para mim é um marco. Foi como docente da Unioeste que comecei a me relacionar com o Sistema Confea/Crea de forma mais intensa. Além dos colegas com quem convivo, tive a oportunidade de conviver com o colega da PUC, Joel Krüger, e em 2005 nós tivemos, durante o Fórum de Docentes, nesse mesmo local , a criação do Crea-JR, que é um grande relacionamento que temos com as nossas universidades”, disse, saudando os demais participantes do dispositivo, formado por professores.

Ricardo descreveu o histórico da atuação do Regional e dos profissionais durante a pandemia. “Estamos aqui revivendo os nossos eventos presenciais do Crea-PR. Passamos um longo período, desde fevereiro de 2020, pouco antes do nosso processo eleitoral, em uma plenária do dia 18 de fevereiro, e logo na sequência a OMS decretou a pandemia. A partir desta data, nós nos adaptamos rapidamente, em um primeiro momento por questões humanitárias e sanitárias, e passamos a desenvolver os nossos trabalhos em home office, assim como outras instituições, respeitando o momento, respeitando a vida dos nossos profissionais, dos nossos funcionários e de todos os que se relacionam conosco. Passamos por momentos que ninguém esperava, aprendemos a conviver com os nossos eventos a distância, aprendemos a prestar serviços online de forma rápida, o que já vínhamos fazendo, e certamente nesse Fórum de Docentes, muitos dos colegas certamente aprenderam muito sobre o EaD. E alguns começaram a ter formatura virtual”, disse, citando o exemplo da formação antecipada de sua filha em Medicina e lembrando que “os nossos profissionais do Sistema estiveram na frente de atendimento à Covid, muitos deles em hospitais, em áreas que foram naquele momento imprescindíveis”.

Ricardo Rocha também revelou sua ligação com o Fórum de Docentes e sobre as expectativas para o debate da área. “Comecei a participar do Fórum de Docentes no final da década de 1990, era uma forma de nos aproximar, no momento da LDB, de discutir o que seria de nós sem os currículos mínimos e aprendemos a conviver com isso. E hoje de manhã estivemos com professor Joel na PUC, discutindo os projetos que estão seguindo as novas DCNs, algo que em um primeiro momento pode nos assustar, mas que certamente também será absorvido pelo nosso Sistema porque temos um diálogo, uma discussão com a academia, já que boa parte do nosso conselho é formado por conselheiros que vêm das instituições de ensino”, comentou, parabenizando a programação do evento, acrescentando que uma das diretrizes da sua gestão é a preocupação com a qualidade do ensino e com o cuidado com a inserção profissional. “Temos muita preocupação com essa passagem do mundo acadêmico para o mundo profissional. A Ceap e o Colégio de Instituições de Ensino têm que olhar para essa transição com carinho”, disse, saudando a participação de representantes do Crea-JR.

Reitor da Universidade Positivo, Roberto Di Benedetto, destacou a importância de a Engenharia discutir o atual momento do desenvolvimento do país
Reitor da Universidade Positivo, Roberto Di Benedetto, destacou a importância de a Engenharia discutir o atual momento do desenvolvimento do país

Indicador de desenvolvimento
O reitor da Universidade Positivo, Roberto Di Benedetto, deu as boas-vindas ao evento, comentando que a universidade também realiza seu primeiro evento público presencial em um ano e sete meses. “A gente tem uma relação muito significativa com o ensino das engenharias, e abrir as portas para este evento é muito importante para a gente. A Universidade começou a adaptar-se às Novas Diretrizes Curriculares em 2019 e no ano passado a gente curricularizou a extensão aos 10% exigidos, o que impacta positivamente no ensino da engenharia. O ensino da engenharia é um importante indicador sobre o desenvolvimento do país e a nossa situação enquanto nação. A gente teve um momento importante de ampliação da procura pela formação de engenheiros e hoje nos encontramos como muitas outras áreas do Brasil em uma imensa encruzilhada sem saber muito bem para onde nos dirigir. É importante que a representação da engenharia se reúna não só para discutir o ensino da engenharia, mas também para lutar por ele, frente a tanta necessidade de esclarecer melhor o que se espera das universidades e da formação dos engenheiros que sejam capazes de impulsionar o desenvolvimento econômico brasileiro em algum momento que virá. A universidade expressa sua vontade de contribuir com vocês nessa discussão”, considerou.

Coordenadora da Ceap-PR, professora Lígia Rachid falou sobre as mudanças vivenciadas pela academia, diante da pandemia e das Novas Diretrizes Curriculares da Engenharia
Coordenadora da Ceap-PR, professora Lígia Rachid falou sobre as mudanças vivenciadas pela academia, diante da pandemia e das Novas Diretrizes Curriculares da Engenharia

Ponto de equilíbrio
A conselheira e coordenadora da Ceap-PR, eng. civ. Lígia Rachid, dirigiu-se aos colegas, descrevendo as mudanças vivenciadas atualmente, como o próprio evento em formato híbrido, realizado pelo Crea. “Estamos passando por isso nesses um ano e sete meses. Estamos aprendendo muito. Nós professores passamos por isso também, reaprendendo algumas formas de ensinar. Com esse fórum, nós temos muitas reflexões para fazer. Temos discussões para fazer porque precisamos encontrar um ponto de equilíbrio entre a forma como a gente vai aplicar as novas DCNs, a parte da extensão também, e isso tudo aliado ao Sistema Confea/Crea. Então, é um momento de muitas mudanças para nós também. E o nosso maior foco precisa ser na qualidade do ensino porque há muitas novidades e precisamos encontrar esse ponto para equilibrar e termos uma boa qualidade do ensino”, apontou.

Atual contexto do país também foi lembrado pelo diretor-geral da Mútua do Paraná, eng. civ. Júlio César Russi
Atual contexto do país também foi lembrado pelo diretor-geral da Mútua do Paraná, eng. civ. Júlio César Russi

Valorização profissional
Já o diretor-geral da Mútua-PR, eng. civ. Júlio César Russi, manifestou que a entidade “acompanha pari passu todas as modificações e também gostaria de convidar todos os participantes a conhecer a Mútua”, chamando a atenção para seu papel de valorização profissional. “A Caixa estará onde o engenheiro está”, disse. O diretor-geral ponderou ainda que, como professor, sabe que “a cada dia que passa, as medidas vão sendo tomadas e as coisas vão ficando mais apertadas”, considerando também que os debates em torno das novas DCNs buscam avançar, ao valorizar a atuação dos profissionais e futuros profissionais.

Henrique Nunes
Equipe de Comunicação do Confea

Da redação

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