Enquanto parlamentares federais do PL e do PSD subscrevem, em Brasília, a criação de uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) para apurar as nebulosas negociações envolvendo o Banco Master e o Banco de Brasília (BRB) — operação que já havia sido previamente avalizada pela Câmara Legislativa do Distrito Federal —, o comportamento de suas bancadas locais expõe uma contradição gritante e politicamente vexatória.
Na Câmara Legislativa do DF, deputados distritais dessas mesmas legendas optam por um silêncio ensurdecedor. Falta apenas uma assinatura para que a CPI seja oficialmente protocolada, mas os três parlamentares do PL e os dois do PSD seguem inertes, como se o episódio não tivesse qualquer relevância institucional, política ou ética. A paralisia causa espanto não apenas pelo conteúdo do escândalo, mas pela incoerência entre o discurso inflamado adotado em nível federal e a omissão calculada no plano local.
Essa postura contradiz frontalmente o discurso oposicionista alardeado pelas direções partidárias e revela uma desconexão preocupante entre retórica e prática. Quando se trata de fiscalizar o Executivo distrital, o ímpeto investigativo parece evaporar. O que deveria ser um dever constitucional transforma-se em conveniência política.
A omissão deliberada desses parlamentares alimenta uma percepção cada vez mais difundida de conivência com o governo do DF. Nos bastidores da política local, cresce a irritação com o que já é interpretado como covardia política, falta de independência e abandono do papel fiscalizador que legitima o mandato parlamentar. Não se trata de um detalhe procedimental: CPIs são instrumentos essenciais de controle democrático e sua obstrução silenciosa corrói a confiança pública.
Ao se esquivarem da responsabilidade de investigar, esses deputados não apenas fragilizam a fiscalização do poder público, como também comprometem a credibilidade de suas próprias legendas perante a sociedade brasiliense. O eleitor percebe — e cobra. A seletividade na indignação, ativa em Brasília e ausente no DF, escancara um duplo padrão difícil de justificar.
Os nomes são conhecidos e a responsabilidade é individual e coletiva:
**PL – Partido Liberal**
– Joaquim Roriz Neto
– Roosevelt Vilela
– Manzonni
**PSD**
– Robério Negreiros
– Jorge Vianna
O silêncio, neste caso, não é neutro. É uma escolha política — e toda escolha tem consequências. A sociedade do Distrito Federal merece explicações, transparência e, sobretudo, coragem para investigar o que precisa ser investigado, doa a quem doer.


