Em sessão ordinária, distritais voltam a discutir CPI para investigar BRB e Banco Master
Parlamentares abordaram pedidos para apurar a relação entre as duas instituições financeiras
A solicitação para abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) com intuito de investigar as relações do Banco de Brasília (BRB) com o Banco Master voltou a ser tema de debate na sessão ordinária desta terça-feira (10) na Câmara Legislativa. Um novo requerimento apresentado neste sentido fez com que o tema retornasse ao plenário. Desta vez, a solicitação foi apresentada pelo Partido Liberal (PL), e levou deputados que fazem oposição ao governo — e que já haviam protocolado um pedido semelhante em novembro passado — a insistir na instalação da CPI.
Da tribuna, o líder do PT, deputado Chico Vigilante (PT), relatou proposta, feita ao presidente da Casa, Wellington Luiz (MDB), para que os 24 distritais se reúnam e avaliem a possibilidade de, em conjunto, assinarem um único requerimento para a criação de uma CPI BRB-Master. “Seria uma decisão na mesma linha daquela que resultou na investigação do 8 de janeiro pela CLDF”, explicou.
“Não tem mais como adiarmos a análise da instalação de uma CPI”, avaliou a deputada Dayse Amarilio (PSB), líder do Bloco PSOL/PSB. Para ela, também se torna necessário “o afastamento do governador”. Para justificar a medida, a parlamentar citou notícia, divulgada hoje, sobre “contrato de R$ 38 milhões firmado entre o escritório de advocacia de Ibaneis Rocha e um fundo ligado à Reag, investigada por fazer parte de esquema do Banco Master”.
Sobre este tema, o líder da Minoria, deputado Gabriel Magno (PT), considerou “muito grave o que vai se descobrindo”. Na opinião do distrital, “o governador não reúne mais condições para governar”, acrescentando uma série de problemas em várias regiões do Distrito Federal, como “obras paralisadas e professores temporários sem receber salários”.
Outros parlamentares se uniram ao pleito no debate. Líder do Bloco União Democrático, o deputado Rogério Morro da Cruz criticou o Palácio do Buriti pela “interrupção de obras e serviços em São Sebastião e no Jardim Botânico”, onde o parlamentar mantém sua base eleitoral. Para ele, a medida é “uma retaliação ao fato de ter votado, na semana passada, contra o Projeto de Lei nº 2.175/2026, de autoria do Executivo.”. “A proposição foi apresentada como salvação do BRB. Mas, trata-se de transferir patrimônio público para cobrir falhas de maus gestores”, comentou, lamentando a “penalização da população”.
Por sua vez, o deputado João Cardoso (Avante) exibiu, durante o comunicado de líderes, uma cronologia do caso BRB-Master. A intenção do distrital foi “esclarecer fatos”que, segundo ele, “levaram vários parlamentares a votarem, no ano passado, a favor da autorização para que a instituição financeira brasiliense continuasse a operação de aquisição do banco que, na sequência, viria a ser liquidado pelo Banco Central”. “Foi apresentado um lindo cisne, mas, na verdade, era um monstro”, resumiu o parlamentar.


