- Mais de quinze anos após a saída de José Roberto Arruda do Governo do Distrito Federal, o transporte público segue como um retrato do descompromisso administrativo que marcou as gestões seguintes. Projetos estruturantes concebidos entre 2007 e 2010, período em que a mobilidade urbana foi tratada como prioridade, foram engavetados ou abandonados sem justificativa técnica consistente.
A ampliação do metrô perdeu ritmo, o VLT, que ligaria o Aeroporto à W3 Sul, nunca saiu do papel, e corredores de alta capacidade, como o BRT Sul, ficaram anos restritos a promessas. Em vez de avançar em soluções estruturais, governos posteriores optaram por medidas paliativas, incapazes de acompanhar o crescimento urbano do DF.
A falta de continuidade virou regra. Cada nova gestão apresentou discursos e planos, mas poucas entregas concretas. O resultado é um sistema defasado, viagens mais longas e dependência crescente do transporte individual, penalizando principalmente a população que depende do transporte coletivo.
Com a pré-candidatura de Arruda ao GDF em 2026, o debate volta à tona. Para aliados, sua gestão simboliza o último período de planejamento, decisão e execução efetiva no transporte público — contraste direto com anos de omissão que se seguiram. A mobilidade urbana, hoje, escancara o custo de governos que preferiram adiar decisões e deixar projetos esquecidos em gavetas administrativas.


