A confraternização do PRD contou com a presença de José Roberto Arruda, que fez questão de marcar posição e dialogar com lideranças e militantes da legenda. O encontro, de clima político e estratégico, foi visto como mais um movimento de Arruda para reforçar alianças e demonstrar protagonismo no cenário do Distrito Federal.
Chamou atenção, no entanto, a ausência do deputado Rogério Morro da Cruz. Nem o parlamentar nem membros de seu gabinete compareceram ao evento, o que gerou comentários e desconforto nos bastidores do partido. Além do deputado, também foi sentida a falta dos dois administradores regionais indicados por ele com apoio do PRD, o que ampliou a percepção de distanciamento político.
Rogério Morro da Cruz vive um momento de divisão clara: de um lado, a influência de seu mentor político, Lucas Kontoyanis; do outro, a aproximação com o grupo governista comandado pelo governador Ibaneis Rocha (MDB). Essa ambiguidade tem sido alvo de críticas internas e externas, especialmente dentro do PRD.

Para dirigentes e filiados, o momento exige definição. A avaliação é de que não há mais espaço para neutralidade em um cenário político cada vez mais polarizado. “Ou está com o partido, ou está com o governo”, resumem lideranças, ao cobrarem coerência e posicionamento claro do parlamentar.
Nos bastidores, a possibilidade de Rogério Morro da Cruz deixar o PRD para se filiar ao MDB ou ao PP já é tratada como real. Caso se confirme, o movimento pode abrir caminho para uma reorganização interna e fortalecer a federação PRD/Solidariedade, criando espaço para a filiação de novos nomes e lideranças que buscam um projeto político mais definido e alinhado.
O fato é que, ao permanecer “em cima do muro”, Rogério Morro da Cruz corre o risco de desagradar a ambos os campos e enfraquecer sua própria base política, enquanto o PRD sinaliza que pretende seguir adiante com quem esteja disposto a assumir posição clara no tabuleiro político do Distrito Federal.


