Uma jornalista que trabalhou 15 anos na Câmara Legislativa do Distrito Federal acaba de ser exonerada porque um veículo ligado à família dela publicou reportagem sobre o caos na saúde pública. Ibaneis Rocha e Celina Leão decidiram que parentesco com quem faz jornalismo crítico é motivo suficiente para demissão. A profissional, conhecida como Renatinha Poli entre colegas da CLDF, perdeu o cargo não por incompetência, não por falta de trabalho, mas porque alguém da família teve a audácia de noticiar problemas reais do governo.
Esse caso não é novidade isolada. Ibaneis e Celina montaram um sistema de monitoramento de servidores onde o critério virou lealdade cega. Fontes da própria CLDF confirmam que a exoneração partiu do Buriti, com aval da vice-governadora. O governador interfere dentro do Legislativo, e a separação de poderes virou piada. Profissionais vivem com medo, olhando para trás, medindo cada palavra, porque qualquer ligação com imprensa livre virou passaporte para a rua.
O governo é incapaz de resolver o colapso na saúde pública, então parte para perseguir quem noticia a tragédia. A reportagem que motivou a retaliação tratava justamente da saúde, área onde o DF vive crise permanente. Em vez de prestar contas, em vez de explicar por que hospitais estão sucateados, o governador escolhe intimidação e censura indireta.
Quinze anos de trabalho competente não valeram nada. O recado saiu claro: no DF de Ibaneis e Celina, quem tem parente jornalista melhor ficar quieto. Ou melhor ainda, melhor sair antes que te tirem. Porque aqui não se governa, se vigia. Não se administra, se pune. E quem acha que vai fazer jornalismo sem que alguém próximo pague a conta está enganado sobre o tipo de gente que manda em Brasília.
Por: ✍️ Douglas Protázio
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