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Colapso anunciado: a incompetência do GDF ameaça a UTI pediátrica do DF

1. Uma crise provocada pela má gestão, não pela falta de aviso

O Governo do Distrito Federal levou o Hospital da Criança de Brasília José Alencar (HCB) a uma situação de estrangulamento financeiro ao descumprir reiteradamente o contrato firmado, deixando de realizar repasses integrais e pontuais. O problema não é pontual nem recente: trata-se de uma inadimplência acumulada, que já ultrapassa R$ 118 milhões, conforme ação ajuizada pelo Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT).

O resultado direto dessa omissão administrativa é claro: risco concreto de fechamento de leitos de UTI pediátrica.


2. Números que expõem a irresponsabilidade

Segundo o MPDFT, o GDF:

  • Não realizou qualquer repasse referente aos meses de outubro, novembro e dezembro de 2025, somando R$ 79,4 milhões;

  • Mantém um passivo financeiro de R$ 38,6 milhões, decorrente de:

    • Despesas de exercícios anteriores;

    • Reajuste contratual não repassado;

    • Medicamentos utilizados sem cobertura financeira.

👉 Total do prejuízo: R$ 118.125.724,31

Esses números não indicam erro pontual, mas sim incapacidade de planejamento, execução orçamentária e respeito a contratos.


3. Consequências reais: leitos fechados e crianças sem atendimento

A inadimplência do GDF já está produzindo danos concretos, obrigando o HCB a adotar medidas de contingência, como:

  • Fechamento inicial de leitos de UTI pediátrica;

  • Bloqueio de internações em enfermaria;

  • Suspensão de primeiras consultas especializadas.

Ou seja, a má gestão financeira se traduz diretamente em desassistência à população infantil.


4. O epicentro da rede pediátrica em risco

Os dados da própria Secretaria de Saúde do DF revelam a gravidade da situação:

  • O DF possui 112 leitos de UTI pediátrica;

  • O HCB concentra 58 desses leitos, ou seja, quase 52% de toda a capacidade da rede pública.

Qualquer redução no HCB não é um problema localizado — é um colapso sistêmico anunciado.

Como alertou o promotor Vinícius Bertaia:

“A redução no HCB traria risco direto de desassistência e de agravamento de casos graves em crianças e adolescentes.”


5. Descontos arbitrários e ausência de transparência

Além de não pagar, o GDF ainda realizou glosas e repasses parciais sem justificativa adequada, violando princípios básicos da administração pública, como:

  • Legalidade;

  • Motivação dos atos administrativos;

  • Contraditório e ampla defesa.

Foi necessário o MPDFT pedir judicialmente que o governo pare de descontar valores sem processo formal, o que expõe um padrão preocupante de condução administrativa.


6. Conclusão: falha administrativa com custo humano

O que está em jogo não é apenas contabilidade pública, mas a vida de crianças e adolescentes.
Quando o Ministério Público precisa pedir bloqueio judicial de verbas para garantir atendimento básico, fica evidente que o governo falhou gravemente em sua função essencial.

A crise do Hospital da Criança de Brasília não é inevitável — ela é resultado direto de incompetência administrativa, falta de prioridade política e desprezo pela previsibilidade na gestão da saúde pública.

Informações: https://www.mpdft.mp.br/portal/index.php/comunicacao-menu/sala-de-imprensa/noticias/noticias-2025/17588-mpdft-aciona-justica-para-evitar-reducao-de-leitos-de-uti-pediatrica-no-df

Redação
Redaçãohttps://doaltodatorre.com.br
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